Thursday, April 26, 2018

O papel do criador de cães

Atualmente fala-se muito sobre procedência, criação e seleção. Mas muitos iniciantes acreditam erroneamente que para se tornar criador basta apenas pegar dois cães com registro e acasalar. E não é bem assim. Os que pensam desta forma desconhecem completamente qual é a verdadeira função de um criador. Esta função é o que diferencia um criador de um vendedor de cães.
 
Pit bull black nose - fonte: Pinterest
A função de um criador profissional é PRESERVAR E MELHORAR A RAÇA.

E como um criador consegue preservar e melhorar uma raça? Primeiramente através de um item muito importante: A genética!

Então, sabendo disso, como é possível preservar uma raça através da genética? Resposta: através do registro genealógico.
A genética é a base de toda raça, é o que define se um cão pertence ou não à determinada raça, e é o que o faz um legítimo representante da mesma.

O registro genealógico, vulgo 'pedigree', mantém guardado toda a genética de um cão, toda a sua árvore genealógica. De onde ele veio, qual a linhagem, quem são os pais, avós, bisavós e etc, e qual a sua ligação com  a raça. Com o registro genealógico de um cão procedente é possível rastrear todos os seus ancestrais até o início da raça à qual ele pertence, conseguindo enumerar em sua genética todos os cães importantes que fizeram história na raça, e todos os cães pioneiros, os primeiros à entrar no studbook e formar a base genética da raça de onde todos os outros cães puros descendem.

Reproduzir um cão de genética desconhecida, para um criador profissional, é ir contra a preservação de uma raça. Já que todas as informações mencionadas anteriormente são completamente desconhecidas, foram perdidas no tempo e não há como inverter isto. O mesmo vale para os cães que tem genética incompleta, cães que tem apenas poucos ancestrais conhecidos há poucos anos e o restante de seus ancestrais: mais de um século de genética desconhecida que não chega ao início da formalização da raça.

Entre os cães procedentes pode existir animais com genética boa ou ruim. E é neste ponto que aparece a 'seleção genética'. O criador deve saber separar o que é bom do que é ruim, e tentar reunir só o que é bom, para produzir bons resultados e contribuir para a melhora da raça.

Aí aparece mais uma pergunta: como saber o que é bom e o que é ruim? Resposta: Através de uma avaliação.

Algumas raças, dependendo da função para a qual foram criadas, são avaliadas quanto à morfologia em exposições caninas, ou são avaliadas em provas de aptidão que testam o comportamento e capacidade física de um cão para conseguir cumprir uma função, como guarda ou caça. O criador por si mesmo pode avaliar seu plantel e produção, com base nestes itens e provar/confirmar o resultado em competições/testes oficiais. Pode também se aproveitar do conhecimento e experiência de criadores mais antigos para traçar quais linhagens trazem mais resultados positivos e montar o seu plantel, posteriormente testar e selecionar os melhores exemplares, e assim por diante.

Para finalizar, é importante deixar bastante claro que cada raça possui suas particularidades quanto à emissão de registros genealógicos e avaliações oficiais. No caso do Pit Bull, eu sempre digo que o registro genealógico tem que ser do UKC e/ou da ADBA, já que estas são as primeiras e mais antigas entidades à registrar a raça, e que consequentemente possuem os studbooks mais antigos, completos e com mais credibilidade e importância. E que portanto, além do registro, também a avaliação de um Pit Bull tem que ser feita com base nas diretrizes destas duas entidades, preferencialmente nas duas ao mesmo tempo. E se não for possível nas duas ao mesmo tempo, então priorizar as diretrizes da ADBA que é a mais credibilizada entre as duas.


Leia o artigo original aqui: http://pitbullbr32.blogspot.com.br/2018/01/o-papel-do-criador-de-caes.html

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